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"Meu sonho é feito de código binário!"

 

"Os céus pegaram fogo na Era Nuclear...E era lindo!" 

 

"A mãe natureza pariu os novos deuses de aço. Somos filhos da nova era robótica!"

 

"Os anjos enferrujam porque as chuvas são ácidas!"

 

"O meu coração é seu...É verdade, pode pegar: Eu compro outro no mercado negro de peças..."



Crime Virtual

Sif entrou na galeria subterrânea. Ela deslizava sob patins magnéticos, desviando rapidamente do número excessivo de pedestres que se aglomeravam como de costume. Outros jovens também faziam a mesma coisa. Estava na moda esses tipos de patins, assim como os hoverskates. A esbelta jovem deslizou como uma sombra até uma loja mal iluminada da ala oeste do subcentro. Deu uma volta de 360 graus sob seus calcanhares e parou de frente a loja. Examinou-a, olhou para os lados e entrou. Apesar de ter a cabeça coberta por um capuz, sentiu-se ainda visada.

Dentro da pequena loja, vários jovens sentavam-se em cadeiras, banquinhos, no chão ou apenas estavam encostados nas paredes. Todos inertes, conectados a cabos de alimentação. Sif nem precisou falar nada com o pequeno homem que veio atendê-la. Apenas digitou seu código de créditos monetário no terminal acoplado ao braço do vendedor e logo em seguida foi procurar um canto para ela.

A garota afastou os cabelos e conectou  os cabos de alimentação pirata atrás da orelha. A conexão a rede obscura do cyber espaço é totalmente ilegal e apenas em casas de acesso pirata os jovens têm oportunidade de adentrar na parte obsoleta de dados antigos e interagir como conhecimento proibido. Ela fechou os olhos e quando os abriu novamente estava nua, perfeita numa praia paradisíaca. Vários jovens também estavam lá passeando, nadando ou interagindo de outras formas.

Sif caminhou até o topo de uma duna e lá encontrou seu amante. Eles se beijaram e lamentaram o tempo em que ficaram afastados. Abraçaram-se e fizeram amor deitados na areia quente. Tudo era perfeito... Então uma dor lancinante perfurou a cabeça de SIf, e ela não pode mais sentir nada. Seu corpo jazia inerte no chão da casa de conexão pirata, seus olhos vazios fitavam os pés dos policiais.

No multijornal online daquela noite

“Boa noite,

As notícias de hoje:

- Nuvens de ozônio estacionaram em cima da cidade. Aproveitem para pegar um sol amanhã nas praças da cidade.

-  Cientistas afirmam que clonagem de seres humanos passou para nível 13. Poderemos ter um cidadão adulto pronto para a sociedade em menos de oito horas de incubação.

- O preço do ar aumentou.

- A polícia do pensamento destruiu mais uma casa de conexão pirata. Diversos jovens delinqüentes foram neutralizados. Esses criminosos buscavam prazeres proibidos que foram banidos da sociedade.

- Um oferecimento da Comida Reciclada  Metal Taste."



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 19h11
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ANJO ENFERRUJADO

"Ao morrer ele foi direto ao paraíso. Chegando, notou que os portões da entrada estavam corroidos pelo tempo e pela ferrugem. As nuvens eram escuras pela poluição e não havia mais um azul celeste, apenas o cinza chumbo. Os santos e as almas eram pálidos e gastos. Alguns santuários eram de plástico e conduítes secos. Fios provocavam relâmpagos entre as núvens e uma projeção holográfica imitava um arco-íris celestial. Voando a meia altura ou caidos entre as núvens digitalizadas, anjos enferrujados e carcomidos pelas eras oravam em cânticos eletrônicos, louvando o Senhor: Eram mensagens de amor, paz e espeçança...Todas mandadas por Deus que observava acima, onipotente de sua Estação-Satélite-Celestial."



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 02h49
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AULA DE ROBÓTICA

 

O relógio holográfico marcou sete horas da manhã. Uma suave música eletrônica começou a tocar preenchendo todo o ambiente. No quarto o som também pode ser ouvido. A câmara de repouso abriu-se lentamente e um magro rapaz colocou os pés descalços no chão. Seus olhos piscavam lentamente e sua cara estava amarrotada. Uma tela holográfica surgiu flutuando a um metro e meio do chão como se fosse uma janela em pleno ar. Uma mulher apareceu na tela:

- Zhed? Você já acordou meu filho? Não vá perder mais uma vez a hora de ir para a escola. Você já perdeu a hora três vezes só esse mês. Eu tenho que te acordar todo dia e te lembrar? Depois dizem que eu sou uma mãe ausente...

- Tá bom, tá bom. Já to indo escaneando o esquema... Já iniciei...

- E pare de falar nessas gírias idiotas. Lembre-se: eu estarei no fim de semana. O resto está tudo em ordem, então não há necessidade de se preocupar. Mas, qualquer problema liga conecta aqui na empresa, tudo bem querido?

- Ok, ok mãe. Bye.

A projeção fechou-se e o rapaz levantou. Foi até o banheiro, depois foi à cozinha e ingeriu duas cápsulas de “café da manhã”, bebeu suco e foi até a sala de estar. Já era quase oito horas. E a aula iria começar. Sentou-se na poltrona principal da sala e iniciou o comando de voz:

- Oito horas da manhã, sala virtual do Colégio Iron Heart. Aula de robótica.

Quando deu o horário marcado, um sinal eletrônico e uma voz sintética avisaram:

- Oito horas da manhã. Iniciando sala de Holo-conferência virtual. Programação padrão. – Em apenas cinco segundos a sala de estar havia se transformado em uma sala de aula virtual. Vinte alunos holo-projetados de suas casas interagiam em holo-ambientes virtuais. A frente um robô de aparência humanóide iria iniciar a aula.

- Bom dia alunos de Iron Heart. Hoje é quarta-feira, 02 de maio do ano de 2229. Sede da Organização Escolar, Steel Coast City. Iniciemos a aula de hoje.

O professor era um robô Orion série 2230. O mais sofisticado do mercado. Seu designe era de traços leves e arrojados. Todo sua estrutura metálica era coberta de uma branca película de plástico metálico. Poucas partes como os braços e as pernas eram cromados, com ditava a nova moda. Um saudosismo aos modelos do século passado. Mas muito mais elegante. Seu rosto era sério e suave. Brancos como todo o resto do corpo. Esse modelo de lecionar era denominado Melquizedeque.

Melquizedeque apontou para uma tela de cristal que mais parecia uma janela e em letras azuis as seguintes palavras surgiram:

“AS TRÊS LEIS DA ROBÓTICA

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão,

permitir que um ser humano sofra algum mal.

2 – Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por

seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a

Primeira Lei.

3 – Um Robô deve proteger sua própria existência, desde que tal

proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.

MANUAL DE ROBOTICA 56ª Edição,2058 A.D.”*

 

Melquizedeque começou em voz suave e firme:

- Essas são as três leis da robótica. Alguém sabe o que significa? Para que servem?

Zhed bocejou. Outros alunos seguiram o exemplo, outros apenas olhavam vidrados... Enfim um rapaz respondeu:

- Meu pai disse que é como se fosse um freio para as ações dos robôs. Como uma coleira.

- Correto. Caro senhor Myers. Talvez eu não tivesse usado as sábias palavras de seu pai com tanta eloqüência, porém, se quisermos poupar tempo e irmos direto ao assunto... Podemos colocar dessa forma.

O robô tutor continuou:

No começo do século vinte e três houve o que chamaram de o nascimento da robótica suprema. Cientistas conseguiram elaborar organismos robóticos associados a sofisticados cérebros de inteligência artificial. Todas as nações debruçaram-se sobre tal projeto. Isso resultou num grande avanço no campo da robótica. Porém, com é inerente da sociedade humana, tais projetos foram utilizados pra todos os fins, desde aos mais nobres até os mais baixos e vis: como roubos de corporações e assassinatos de presidentes. É sabido que então houve a guerra Robótica que durou quase 25 nos. Terminou com um grande tratado de paz entre as maiores nações e a criação das três supremas leis da robótica que guiariam os passos robóticos até os dias atuais.

De repente a sala de holo-projeção transformou-se em outros ambientes e os alunos puderam ver as guerras ao vivo como se estivessem dentro delas, depois viram o tratado sendo assinado e por fim viram robô sendo usados para todos os fins em todas as partes do mundo.

- Bom, senhores. Por hoje basta. Espero revê-los em uma semana.

A holo-sala com Melquizedeque e todos os alunos desapareceu. Mais uma vez a sala de estar de Zhed surgiu sóbria e sombria como antes. O rapaz saiu da sala sentindo-se entediado. Foi até a janela da sala e olhou a cidade do alto do 230º andar de seu edifício. Olhou todos os automóveis planando no céu e robô por toda parte trabalhando no trânsito, em obras de construção, em plataformas, aéreas, por toda a cidade. Olhou e viu que não havia pessoas em nenhumas das vias de pedestres que cruzavam os prédios... Também...Com tanta violência nas ruas e os demais riscos, quem sairia de casa? Com todo o conforto de aulas virtuais, trabalhos virtuais e até pais virtuais... Quem sairia de casa?

Zhed olhou para um pequeno e desajeitado robô que soldava uma ponte aérea. Sentiu muita inveja de sua liberdade, de seu andar pelas ruas... De sua falta de humanidade.

Naquele momento, Zhed sentiu-se triste porque queria ser robô.

 

*(IN: Isaac Asimov – Eu, Robô)

 



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 17h45
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SONHOS ELETRÔNICOS

Imagem: Bjork- All is Full of Love

Zzzzzzzzzzzz....clic! – um braço robótico se moveu.
Zzzzzzzzzzzz....clic clic! – outro braço robótico se moveu. Mais uma placa de componentes eletrônicos encaixada.
Zzzz! – metal – clic clic clic! – plástico retorcido – Tec tec tec! – Jhonny Dreamer digitou no teclado mais um comando que duraria mais duas horas. Mais duas horas de incontáveis “zzzs” e “clics”, sem contar que daqui a duas horas teria que operar novamente o obsoleto teclado de plástico daquele maldito e velho computador.
Como Dreamer odiava o seu trabalho!
Ser operador e programador robótico numa montadora de quinta categoria era a morte para ele. Justo ele que ganhara uma bolsa de estudos e havia estudado duro em Neo York. Havia economizado cada crédito de sua bolsa para investir num futuro promissor. E agora...Estava ali.Perdido no meio do nada numa fabriquinha na zona pobre de Poor Metal Zone.
- Maldição!!!
Maldito mundo que o subjugara! Maldito destino que o esmagara e maldito amor, sentimento pernicioso que o havia condenado.
Dreamer sentou no seu assento de gel e com um controle remoto de mão ligou algumas holo-tvs. Pensou nos seus colegas trabalhando em colônias em Alfa-Centauro, não tendo que utilizar aparelhos manuais. Provavelmente as holoprojeções e as máquinas robóticas são todas comandadas por interfaces neurais...Apenas um pensamento e zzzzzzz! Guindates robóticos gigantes movendo montanhas. Outro pensamento...clic, canal de esportes de não contato holoprojetados instantaneamente.
- Interfaces-neurais! Quanta comodidade e urbanidade! – Dreamer sonhou um pouco mais.
Fora numa aula de interface-neural na Universidade que ele havia conhecido a maldita...Angela Reacher.Ela disse que não conseguia estabelecer um elo neural com o sistema principal. - Há! Que armadilha! – Dreamer foi ajudá-la com os receptores ópticos e sem querer tocou seu rosto.


* É preciso lembrar que nessa época de civilidade é proibido o contato direto pele a pele entre os cidadãos. Medida tomada a muito pelo conselho universal para evitar males há muito já cometidos pela humanidade, como doenças e violência.*
Sendo assim, não havia contato algum e Dreamer jamais havia tocado uma mulher, ou mesmo um homem em sua vida. De fato os malefícios foram imediatos. Dreamer e a moça, Ângela, sentiram um atração estranha e desconhecida por qualquer ser daquela época. Ambos sentiam a necessidade de estarem juntos e de fato acabaram se unindo de forma criminosa e pecaminosa para a sociedade.Um dia sem mais nem menos ambos abraçaram-se instintivamente (como animais , já que o ser humano dessa era não possuía instintos)
e praticando o que os tribunais chamaram de “ato sexual ou crime da carne”. De fato a situação só se agravou quando de forma bizarra e monstruosa a moça “engravidou”, fato que não acontecia há mais de 700 anos na civilização moderna, já que, como todos sabemos todos os cidadãos são fecundados na “Fábrica de Corpos”.
Conclusão: Após a cidadã Ângela Reacher “dar a luz” a uma criança, ambas foram extirpadas da sociedade, de acordo com os rigores da lei, morta mãe, morta criança e cidadão envolvido com o crime, Johnny Dreamer, rebaixado de status na civilização e condenado a não deixar a planeta.
Johnny Dreamer lembra de tudo isso. Pensa nos momentos que passou com Ângela, lembra da sensação que foi perdê-la.Ponderou sobre o fato de ter um “filho”, uma criatura que era parte dele, lembrou da forma bruta e limpa com que mataram os dois...Uma sensação de ausência e vazio apertou seu coração. E ele numa voz agoniada sussurou:
- Ahhh, como seria bom não ter que trabalhar com as mãos!Ahhh! Como é bom a comodidade!
Jonatas Turcato Syrayama

* Inspirado em Admirável Mundo Novo de Audous Huxley!
Leia! Vale a pena J



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 14h31
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- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 23h54
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