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"Meu sonho é feito de código binário!"

 

"Os céus pegaram fogo na Era Nuclear...E era lindo!" 

 

"A mãe natureza pariu os novos deuses de aço. Somos filhos da nova era robótica!"

 

"Os anjos enferrujam porque as chuvas são ácidas!"

 

"O meu coração é seu...É verdade, pode pegar: Eu compro outro no mercado negro de peças..."



Excursão ao Planeta Terra

 

O ônibus espacial saiu da velocidade da luz causando em leve tremor no tecido temporal da realidade. Pequenas ondas, quase imperceptíveis, agitaram as estrelas no escuro universal, denunciando a chegada não natural do hipersalto. A imensa estrutura metálica poderia passar camuflada entre asteróides se comparada ao infinito universo, mas a estrutura metálica de doze quilômetros  de comprimento parecia querer ser notada, apesar de ser uma nave de pequeno porte. A cabine central girou lentamente no próprio eixo e a estrutura externa, com seus anéis de proteção, também giraram, porém em sentido contrário para manter a estabilidade orbital. Cabines de proteção bélica desprenderam-se automaticamente e capsulas robóticas posicionaram-se estrategicamente ao redor do ônibus, como seguranças armados. Agora a nave poderia acordar.

Dentro do ônibus espacial luzes emanavam das paredes, tetos e chão. Uma aparência vítrea predominava por todos os lugares. Na parte central do ônibus, dezenas de câmaras coletivas de suspensão de atividades começavam a abrir. Um leve vapor inodoro escapava dos cantos das câmaras e aos poucos centenas de pés pisavam na superfície vítrea da nave. Eram homens e mulheres jovens, com idades entre quinze e dezoito anos. Seus rostos eram claros e lisos, e seus olhos eram vivos e cheios de curiosidade. De repente uma voz feminina parecia emanar do teto e das paredes ao mesmo tempo preenchendo todo o ambiente:

- Cidadãos Midgard Alfa. Por favor, queiram dirigir-se ao deck central. Tenham um bom dia e que a Mãe os Abençoe!

Todos seguiram harmoniosamente até o deck central formando uma massa de trezentas pessoas exatamente. No deck o silêncio era geral e não poderia ser de outra maneira. Cidadãos dessa casta podiam e deveriam apenas se comunicar através dos elos mentais. Todos eram treinados e sabiam focar seus pensamentos travando conversas telepáticas apenas com quem lhes aprazia, não havendo assim necessidade do ruído sonoro que poderia interferir nas conversações alheias. Após alguns minutos a voz da nave falou telepaticamente a todos em claro e bom som como se inundasse seus cérebros:

- Caras crianças de Midgard! Em instantes uma cápsula vítrea irá conduzir o grupo até a esfera ancestral conhecida como Terra. Lembrem-se que está é uma dádiva de nossa sociedade e vocês como cidadão Midgard Alfa devem aproveitar a dádiva do conhecimento proibido. São poucos os eleitos. Nossa excursão rumo ao saber iniciará em dez segundos.

O deck principal uma escotilha gigantesca dando evasão ao espaço sideral. Enquanto a escotilha abria lentamente, luzes esverdeadas levantaram-se serpenteando como labaredas elétricas construindo colunas e paredes de vidro. Era a capsula nave que estava sendo construído instantaneamente ao redor do grupo de jovens. Era toda feita de uma matéria transparente como um vidro, levemente esverdeada ao reflexo das luzes do espaço. Seu formato era cilíndrico e possuía aproximadamente três mil metros quadrados. Bancos e outros acessórios de aparência vítrea compunham a parte interna. 

A capsula vítrea passou pela escotilha e adentrou na escuridão do espaço. Os jovens de Midgard olhavam extasiados ao redor. A estrutura vítrea da capsula dava a falta impressão de flutuar a esmo no espaço como se nada os protegessem ou guiassem. A capsula passou perto do sol escurecendo automaticamente suas paredes de vidro. A voz vinda telepaticamente da nave-mãe falou em seus cérebros:

- Este corpo celeste já foi uma estrela de quinta grandeza, também conhecido como sol pelos antigos habitantes do sistema. Durante muitas gerações sua luz e calor foram utilizados naturalmente como fonte de energia aos habitantes do planeta Terra. Com o passar do tempo os terráqueos através de avanços tecnológicos mal gerenciados, começaram a drenar diretamente a energia e vitalidade da estrela. Obviamente seus conhecimentos de vida não iam além do plano físico. Fato que levou a exaustão do corpo espiritual da estrela. Assim, sua Alma Mater foi danificada permanentemente, O que vocês podem apreciar agora é apenas uma casca oca de uma estrela com os dias contados.

Os alunos sacudiam a cabeça negativamente em reprovação. Como alguém não poderia possuir um conceito tão básico como o Alma Mater? Todos sabem que todos os elementos do universo possuem uma alma. O que difere é apenas seu grau de complexidade. Uma poeira possui alma simples, já um ser humano possui uma alma complexa e cheia de minúcias. Isto é tão óbvio.

A capsula vítrea passou por uma nuvem rubra que o computador explicou ser o antigo planeta Mercúrio, destruído pelos terráqueos numa corrida de mineração espacial. Vênus apesar de ter sofrido o mesmo processo exploratório ainda possuía um corpo sólido deteriorado, mas ainda em órbita para ser contemplado. Em poucos instantes a capsula chega ao seu destino. Antes que se aproximar plenamente do planeta a capsula paira perto de um corpo celeste de aproximadamente 1500 km. Ao seu redor aparelhos de toda espécie davam a impressão de seu ma pequena jaula cobrindo o corpo. A voz voltou a dizer: - Esta é a lua do planeta Terra atualmente possui uma massa de menos da metade do seu tamanho original. Também foi alvo de exploração em todos os níveis possíveis. Exploração comercial, político e religioso. Infelizmente é mais um exemplo de morte da Alma Mater. O pequeno pulso de vida que podemos sentir é porque está ligada a tantos aparelhos que a tornam um paciente agonizante a procura da eutanásia. Agora olhem para baixo. Automaticamente todos os jovens olharam para baixo e viram uma espera de grandes proporções. Uma nuvem cinza e marrom parecia cobrir todo o planeta.  

- Conhecido a muito tempo como o planeta azul, o planeta Terra era composto por mais de 70% de água. Seus mares podiam ser vistos do espaço como um oásis neste sistema solar. Durante muitas gerações habitantes de outros planetas visitavam clandestinamente a Terra por necessidades ou por prazer. Obviamente criaturas mais avançadas que possuíam conhecimento sobre equilíbrio e harmonia, pois evitavam, ao máximo serem descobertos em suas viagens, já que durante muitas gerações os terráqueos não permitiram nem mesmo a idéia de vida em outras esferas que não fossem seu próprio planeta. O que vocês podem contemplar agora é uma esfera totalmente poluída e desgastada. Essa nuvem que a circunda é uma composição de destroços e lixo espacial. São naves, satélites e uma infinidade de máquinas que liberavam e ainda liberam gases tóxicos e outros compostos poluentes. Iremos atravessar essa camada de destroços e penetrar na atmosfera.

A resistente capsula vítrea atravessou rapidamente a massa de destroços e gases deixando um caminho mais suave aos olhos para trás. Mas ao penetrarem na atmosfera as imagens não melhoravam. A capsula pairou sobre o que parecia ter sido uma grande cidade.

- Esta foi conhecida como a maior cidade do planeta. Seu nome já foi perdido em nossos registros, mas sabemos que era uma grande concentração de edificações e complexos subterrâneos. Milhões de pessoas viviam aqui. Aquelas massa disformes que quase alcançam o céu eram prédios de habitações e também centros comerciais. Conseguem perceber Alma Mater aqui? – todos balançaram a cabeça negativamente. A capsula então continuou seu vôo até um enorme charco de lama com quilômetros de distancia. Este foi conhecido como o Oceano Atlântico. Era um imenso mar azul que abrigava milhões de espécies de vida. Conseguem perceber Alma Mater neste lamaçal? – novamente a resposta foi negativa e cheia de reprovação intima. – A capsula voou rapidamente até uma planície negra imensa. Novamente o computador com sua voz maternal: 

- Esta planície negra já foi o berço da maior floresta do planeta. Seu nome foi perdida nos dados ancestrais, mas conta que era um nome baseado em antigos guerreiras dos tempos em que a Terra ainda era jovem. O que você podem apreciar no momento é apenas a ação de guerras e exploração desenfreada.

Os alunos estavam extremamente chocados. Como uma espécie que raciocina pode prejudicar a si próprio numa escala tão colossal? Não é a toa que eles se extinguiram. Foram extintos. Percebendo tos os pensamentos e sentimentos de perplexidade o computador aproveitou para finalizar o objetivo de sua excursão, terminando a aula com um conhecimento, informação dado a raros e privilegiados cidadãos da mais alta casta seu planeta:

- Queridos jovens. Posso perceber o sentimento de perplexidade e rancor com relação a esta raça tão primitiva que foram os terráqueos. Sim eles realmente acabaram com todos os recursos que tinham abundantes e ao seu inteiro dispor. Eles não respeitaram o seu próprio semelhante e não possuíam o mínimo de noção da complexidade da vida em todos os seus níveis e sua importância. Eles chegaram a extinguir quase tudo que estava ao seu redor, mas eles não foram extintos: eles ainda vivem.

Muitos dos jovens ficaram tão chocados que emitiram exclamações audíveis quebrando seus votos de silêncio, mas não foram censurados por isso. O computador sabia o que estava fazendo 

- No final de uma era, já quase extintos e com seus recursos escassos. Uma pequena nave de cientistas liderou um grupo exploratório que iria colonizar outro planeta. Eles vagaram por incontáveis gerações através do espaço, saltando de planeta a planeta procurando a harmonia que seus antepassados nunca haviam alcançado. E depois de muitos séculos de purgação regeneradora, os terráqueos conseguiram se estabelecer no oitavo planeta do sistema Baldur.

Os jovens arregalaram os olhos e muitos ficaram de boca aberta. Dois ou três não se contiveram e disseram em alto e bom som – Mas este é nosso planeta Midgard... – outros passaram mal e quase desmaiaram.

- Exatamente. Lembrem-se disso! Nossa sociedade paradisíaca foi alicerçada sobre a lama e a mácula da desarmonia. Se hoje alcançamos um alto grau de evolução foi através de grande esforço e dedicação. Mas lembrem-se o mal está ao lado. Ele vive dentro de nós e os pecados de nossos pais podem ressurgir como um monstro das sombras a fim de devorar a nossa Alma Mater para sempre ou podemos aprender com estes erros e seguir adiante com o equilíbrio e harmonia. 

A capsula vítrea voou em direção à nave-mãe em meio a pensamentos e reflexões não tão claras como as paredes da capsula. Mas o computador havia executado seu programa, o conhecimento havia sido lançado e a aos escolhidos cabia o fardo de conhecer a verdade.


 



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 08h22
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O FUTURO É AGORA: ASIMO

ASIMO é um robô produzido pela Honda. Seu nome, curiosamente, não é uma referência ao escritor russo de ficção científica Isaac Asimov. Em japonês, ASIMO é pronunciado ashimo, que significa algo como "também com pernas". A sigla ASIMO em Ingles significa Advanced Step in Innovative Mobility ou seja Desenvolvimento Avançado em inovações para Mobilidade. Ele pode andar em superficies irregulares, virar-se, pegar coisas e reconhecer pessoas através de suas cameras que funcionam como olhos.[1] O ASIMO foi atualizado pelos engenheiros da Honda, os quais os ajustaram de tal forma que agora o ASIMO pode correr, com movimentos mais fluidos, atingindo uma velocidade máxima de até 6,5 quilómetros por hora! A nova versão apresentada pela Honda em 11 de Dezembro de 2007, apresenta um sistema de comunicação que lhe confere a capacidade de trabalhar em equipe, partilhando informações e coordenando tarefas. Através do sistema de ligação desenvolvido, os robots partilham informações tais como a sua localização ou a tarefa que desempenham.



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 00h58
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O FUTURO É AGORA: ASIMO

ASIMO é um robô produzido pela Honda. Seu nome, curiosamente, não é uma referência ao escritor russo de ficção científica Isaac Asimov. Em japonês, ASIMO é pronunciado ashimo, que significa algo como "também com pernas". A sigla ASIMO em Ingles significa Advanced Step in Innovative Mobility ou seja Desenvolvimento Avançado em inovações para Mobilidade. Ele pode andar em superficies irregulares, virar-se, pegar coisas e reconhecer pessoas através de suas cameras que funcionam como olhos.[1] O ASIMO foi atualizado pelos engenheiros da Honda, os quais os ajustaram de tal forma que agora o ASIMO pode correr, com movimentos mais fluidos, atingindo uma velocidade máxima de até 6,5 quilómetros por hora! A nova versão apresentada pela Honda em 11 de Dezembro de 2007, apresenta um sistema de comunicação que lhe confere a capacidade de trabalhar em equipe, partilhando informações e coordenando tarefas. Através do sistema de ligação desenvolvido, os robots partilham informações tais como a sua localização ou a tarefa que desempenham.



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 00h58
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Crime Virtual

Sif entrou na galeria subterrânea. Ela deslizava sob patins magnéticos, desviando rapidamente do número excessivo de pedestres que se aglomeravam como de costume. Outros jovens também faziam a mesma coisa. Estava na moda esses tipos de patins, assim como os hoverskates. A esbelta jovem deslizou como uma sombra até uma loja mal iluminada da ala oeste do subcentro. Deu uma volta de 360 graus sob seus calcanhares e parou de frente a loja. Examinou-a, olhou para os lados e entrou. Apesar de ter a cabeça coberta por um capuz, sentiu-se ainda visada.

Dentro da pequena loja, vários jovens sentavam-se em cadeiras, banquinhos, no chão ou apenas estavam encostados nas paredes. Todos inertes, conectados a cabos de alimentação. Sif nem precisou falar nada com o pequeno homem que veio atendê-la. Apenas digitou seu código de créditos monetário no terminal acoplado ao braço do vendedor e logo em seguida foi procurar um canto para ela.

A garota afastou os cabelos e conectou  os cabos de alimentação pirata atrás da orelha. A conexão a rede obscura do cyber espaço é totalmente ilegal e apenas em casas de acesso pirata os jovens têm oportunidade de adentrar na parte obsoleta de dados antigos e interagir como conhecimento proibido. Ela fechou os olhos e quando os abriu novamente estava nua, perfeita numa praia paradisíaca. Vários jovens também estavam lá passeando, nadando ou interagindo de outras formas.

Sif caminhou até o topo de uma duna e lá encontrou seu amante. Eles se beijaram e lamentaram o tempo em que ficaram afastados. Abraçaram-se e fizeram amor deitados na areia quente. Tudo era perfeito... Então uma dor lancinante perfurou a cabeça de SIf, e ela não pode mais sentir nada. Seu corpo jazia inerte no chão da casa de conexão pirata, seus olhos vazios fitavam os pés dos policiais.

No multijornal online daquela noite

“Boa noite,

As notícias de hoje:

- Nuvens de ozônio estacionaram em cima da cidade. Aproveitem para pegar um sol amanhã nas praças da cidade.

-  Cientistas afirmam que clonagem de seres humanos passou para nível 13. Poderemos ter um cidadão adulto pronto para a sociedade em menos de oito horas de incubação.

- O preço do ar aumentou.

- A polícia do pensamento destruiu mais uma casa de conexão pirata. Diversos jovens delinqüentes foram neutralizados. Esses criminosos buscavam prazeres proibidos que foram banidos da sociedade.

- Um oferecimento da Comida Reciclada  Metal Taste."



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 19h11
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ANJO ENFERRUJADO

"Ao morrer ele foi direto ao paraíso. Chegando, notou que os portões da entrada estavam corroidos pelo tempo e pela ferrugem. As nuvens eram escuras pela poluição e não havia mais um azul celeste, apenas o cinza chumbo. Os santos e as almas eram pálidos e gastos. Alguns santuários eram de plástico e conduítes secos. Fios provocavam relâmpagos entre as núvens e uma projeção holográfica imitava um arco-íris celestial. Voando a meia altura ou caidos entre as núvens digitalizadas, anjos enferrujados e carcomidos pelas eras oravam em cânticos eletrônicos, louvando o Senhor: Eram mensagens de amor, paz e espeçança...Todas mandadas por Deus que observava acima, onipotente de sua Estação-Satélite-Celestial."



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 02h49
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AULA DE ROBÓTICA

 

O relógio holográfico marcou sete horas da manhã. Uma suave música eletrônica começou a tocar preenchendo todo o ambiente. No quarto o som também pode ser ouvido. A câmara de repouso abriu-se lentamente e um magro rapaz colocou os pés descalços no chão. Seus olhos piscavam lentamente e sua cara estava amarrotada. Uma tela holográfica surgiu flutuando a um metro e meio do chão como se fosse uma janela em pleno ar. Uma mulher apareceu na tela:

- Zhed? Você já acordou meu filho? Não vá perder mais uma vez a hora de ir para a escola. Você já perdeu a hora três vezes só esse mês. Eu tenho que te acordar todo dia e te lembrar? Depois dizem que eu sou uma mãe ausente...

- Tá bom, tá bom. Já to indo escaneando o esquema... Já iniciei...

- E pare de falar nessas gírias idiotas. Lembre-se: eu estarei no fim de semana. O resto está tudo em ordem, então não há necessidade de se preocupar. Mas, qualquer problema liga conecta aqui na empresa, tudo bem querido?

- Ok, ok mãe. Bye.

A projeção fechou-se e o rapaz levantou. Foi até o banheiro, depois foi à cozinha e ingeriu duas cápsulas de “café da manhã”, bebeu suco e foi até a sala de estar. Já era quase oito horas. E a aula iria começar. Sentou-se na poltrona principal da sala e iniciou o comando de voz:

- Oito horas da manhã, sala virtual do Colégio Iron Heart. Aula de robótica.

Quando deu o horário marcado, um sinal eletrônico e uma voz sintética avisaram:

- Oito horas da manhã. Iniciando sala de Holo-conferência virtual. Programação padrão. – Em apenas cinco segundos a sala de estar havia se transformado em uma sala de aula virtual. Vinte alunos holo-projetados de suas casas interagiam em holo-ambientes virtuais. A frente um robô de aparência humanóide iria iniciar a aula.

- Bom dia alunos de Iron Heart. Hoje é quarta-feira, 02 de maio do ano de 2229. Sede da Organização Escolar, Steel Coast City. Iniciemos a aula de hoje.

O professor era um robô Orion série 2230. O mais sofisticado do mercado. Seu designe era de traços leves e arrojados. Todo sua estrutura metálica era coberta de uma branca película de plástico metálico. Poucas partes como os braços e as pernas eram cromados, com ditava a nova moda. Um saudosismo aos modelos do século passado. Mas muito mais elegante. Seu rosto era sério e suave. Brancos como todo o resto do corpo. Esse modelo de lecionar era denominado Melquizedeque.

Melquizedeque apontou para uma tela de cristal que mais parecia uma janela e em letras azuis as seguintes palavras surgiram:

“AS TRÊS LEIS DA ROBÓTICA

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão,

permitir que um ser humano sofra algum mal.

2 – Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por

seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a

Primeira Lei.

3 – Um Robô deve proteger sua própria existência, desde que tal

proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.

MANUAL DE ROBOTICA 56ª Edição,2058 A.D.”*

 

Melquizedeque começou em voz suave e firme:

- Essas são as três leis da robótica. Alguém sabe o que significa? Para que servem?

Zhed bocejou. Outros alunos seguiram o exemplo, outros apenas olhavam vidrados... Enfim um rapaz respondeu:

- Meu pai disse que é como se fosse um freio para as ações dos robôs. Como uma coleira.

- Correto. Caro senhor Myers. Talvez eu não tivesse usado as sábias palavras de seu pai com tanta eloqüência, porém, se quisermos poupar tempo e irmos direto ao assunto... Podemos colocar dessa forma.

O robô tutor continuou:

No começo do século vinte e três houve o que chamaram de o nascimento da robótica suprema. Cientistas conseguiram elaborar organismos robóticos associados a sofisticados cérebros de inteligência artificial. Todas as nações debruçaram-se sobre tal projeto. Isso resultou num grande avanço no campo da robótica. Porém, com é inerente da sociedade humana, tais projetos foram utilizados pra todos os fins, desde aos mais nobres até os mais baixos e vis: como roubos de corporações e assassinatos de presidentes. É sabido que então houve a guerra Robótica que durou quase 25 nos. Terminou com um grande tratado de paz entre as maiores nações e a criação das três supremas leis da robótica que guiariam os passos robóticos até os dias atuais.

De repente a sala de holo-projeção transformou-se em outros ambientes e os alunos puderam ver as guerras ao vivo como se estivessem dentro delas, depois viram o tratado sendo assinado e por fim viram robô sendo usados para todos os fins em todas as partes do mundo.

- Bom, senhores. Por hoje basta. Espero revê-los em uma semana.

A holo-sala com Melquizedeque e todos os alunos desapareceu. Mais uma vez a sala de estar de Zhed surgiu sóbria e sombria como antes. O rapaz saiu da sala sentindo-se entediado. Foi até a janela da sala e olhou a cidade do alto do 230º andar de seu edifício. Olhou todos os automóveis planando no céu e robô por toda parte trabalhando no trânsito, em obras de construção, em plataformas, aéreas, por toda a cidade. Olhou e viu que não havia pessoas em nenhumas das vias de pedestres que cruzavam os prédios... Também...Com tanta violência nas ruas e os demais riscos, quem sairia de casa? Com todo o conforto de aulas virtuais, trabalhos virtuais e até pais virtuais... Quem sairia de casa?

Zhed olhou para um pequeno e desajeitado robô que soldava uma ponte aérea. Sentiu muita inveja de sua liberdade, de seu andar pelas ruas... De sua falta de humanidade.

Naquele momento, Zhed sentiu-se triste porque queria ser robô.

 

*(IN: Isaac Asimov – Eu, Robô)

 



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 17h45
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SONHOS ELETRÔNICOS

Imagem: Bjork- All is Full of Love

Zzzzzzzzzzzz....clic! – um braço robótico se moveu.
Zzzzzzzzzzzz....clic clic! – outro braço robótico se moveu. Mais uma placa de componentes eletrônicos encaixada.
Zzzz! – metal – clic clic clic! – plástico retorcido – Tec tec tec! – Jhonny Dreamer digitou no teclado mais um comando que duraria mais duas horas. Mais duas horas de incontáveis “zzzs” e “clics”, sem contar que daqui a duas horas teria que operar novamente o obsoleto teclado de plástico daquele maldito e velho computador.
Como Dreamer odiava o seu trabalho!
Ser operador e programador robótico numa montadora de quinta categoria era a morte para ele. Justo ele que ganhara uma bolsa de estudos e havia estudado duro em Neo York. Havia economizado cada crédito de sua bolsa para investir num futuro promissor. E agora...Estava ali.Perdido no meio do nada numa fabriquinha na zona pobre de Poor Metal Zone.
- Maldição!!!
Maldito mundo que o subjugara! Maldito destino que o esmagara e maldito amor, sentimento pernicioso que o havia condenado.
Dreamer sentou no seu assento de gel e com um controle remoto de mão ligou algumas holo-tvs. Pensou nos seus colegas trabalhando em colônias em Alfa-Centauro, não tendo que utilizar aparelhos manuais. Provavelmente as holoprojeções e as máquinas robóticas são todas comandadas por interfaces neurais...Apenas um pensamento e zzzzzzz! Guindates robóticos gigantes movendo montanhas. Outro pensamento...clic, canal de esportes de não contato holoprojetados instantaneamente.
- Interfaces-neurais! Quanta comodidade e urbanidade! – Dreamer sonhou um pouco mais.
Fora numa aula de interface-neural na Universidade que ele havia conhecido a maldita...Angela Reacher.Ela disse que não conseguia estabelecer um elo neural com o sistema principal. - Há! Que armadilha! – Dreamer foi ajudá-la com os receptores ópticos e sem querer tocou seu rosto.


* É preciso lembrar que nessa época de civilidade é proibido o contato direto pele a pele entre os cidadãos. Medida tomada a muito pelo conselho universal para evitar males há muito já cometidos pela humanidade, como doenças e violência.*
Sendo assim, não havia contato algum e Dreamer jamais havia tocado uma mulher, ou mesmo um homem em sua vida. De fato os malefícios foram imediatos. Dreamer e a moça, Ângela, sentiram um atração estranha e desconhecida por qualquer ser daquela época. Ambos sentiam a necessidade de estarem juntos e de fato acabaram se unindo de forma criminosa e pecaminosa para a sociedade.Um dia sem mais nem menos ambos abraçaram-se instintivamente (como animais , já que o ser humano dessa era não possuía instintos)
e praticando o que os tribunais chamaram de “ato sexual ou crime da carne”. De fato a situação só se agravou quando de forma bizarra e monstruosa a moça “engravidou”, fato que não acontecia há mais de 700 anos na civilização moderna, já que, como todos sabemos todos os cidadãos são fecundados na “Fábrica de Corpos”.
Conclusão: Após a cidadã Ângela Reacher “dar a luz” a uma criança, ambas foram extirpadas da sociedade, de acordo com os rigores da lei, morta mãe, morta criança e cidadão envolvido com o crime, Johnny Dreamer, rebaixado de status na civilização e condenado a não deixar a planeta.
Johnny Dreamer lembra de tudo isso. Pensa nos momentos que passou com Ângela, lembra da sensação que foi perdê-la.Ponderou sobre o fato de ter um “filho”, uma criatura que era parte dele, lembrou da forma bruta e limpa com que mataram os dois...Uma sensação de ausência e vazio apertou seu coração. E ele numa voz agoniada sussurou:
- Ahhh, como seria bom não ter que trabalhar com as mãos!Ahhh! Como é bom a comodidade!
Jonatas Turcato Syrayama

* Inspirado em Admirável Mundo Novo de Audous Huxley!
Leia! Vale a pena J



- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 14h31
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- Postado por: Profº Jonatas Turcato Syrayama às 23h54
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